“Quem traz na pele essa marca/Possui a estranha mania/De ter fé na vida [...].”
Maria, Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant)
Maria, Maria, canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, virou uma espécie de hino nacional do sexo feminino. Não é para menos. A beleza da música retrata fielmente a luta dessas guerreiras. Na segunda-feira, 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, é a vez do portal EcoDesenvolvimento.org homenagear oito mulheres notáveis, que por meio de trabalhos importantes contribuem para o desenvolvimento sustentável do Brasil e, inclusive, de outros países. Os nossos sinceros parabéns a todas as mulheres!.
Zilda Arns
Formada em medicina e especializada em educação física e pediatria, a catarinense Zilda Arns Neumann foi inspirada a iniciar seu trabalho em 1982, depois que um membro das Nações Unidas incumbiu o irmão dela, o cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, de promover a redução da mortalidade infantil por meio da Igreja Católica.
Os projetos e ações pela sobrevivência, desenvolvimento e proteção de crianças e adolescentes fizeram com que o trabalho de Zilda Arns beneficiasse mais de 2 milhões de jovens em todo o mundo. Ela coordenou a
Pastoral da Criançae foi três vezes indicada ao Prêmio Nobel da Paz.
Ela morreu no dia 13 de janeiro de 2010, aos 75 anos, vítima do terremoto de grande proporção que atingiu o Haiti, país onde Zilda Arns residia para dar prosseguimento à missão de levar sorrisos de esperança aos que só conheciam a dor.
Marina Silva
Determinação, resistência e talento marcam a trajetória de Marina Silva. Esta acreana natural de Breu Velho, na comunidade do seringal Bagaço, nasceu e cresceu em um universo repleto de dificuldades. Aos 16 anos de idade, mudou-se para Rio Branco, onde foi alfabetizada no antigo Mobral. O primeiro emprego dela foi de empregada doméstica.
Aos 26 anos, Marina Silva formou-se historiadora pela Universidade Federal do Acre. Como sindicalista, chegou a ser vice de Chico Mendes na coordenação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em 1988 ela foi a vereadora mais votada em Rio Branco. Quatro anos depois foi a deputada estadual mais votada. Em 1994, aos 36 anos, chegou a Brasília como a senadora mais jovem da história da República e a mais votada entre os candidatos do Acre.
A partir de 1996, Marina Silva passou a ser premiada internacionalmente, sobretudo em razão da luta travada para proteger a Amazônia. Recebeu o título de Doutora Honoris Causa em 2005, na China, e o prêmio “Champions of the World” da ONU, em 2007. Em janeiro de 2008, o jornal inglês
The Guardian incluiu a acreana entre as “50 pessoas que podem salvar o planeta”.
Atualmente, Marina Silva é senadora da República pelo Partido Verde. Ela é um dos nomes mais respeitados do mundo quando o assunto é meio ambiente.
Dorothy Stang
Mais conhecida como Irmã Dorothy, a freira norte-americana naturalizada brasileira, Dorothy Mae Stang, ingressou na vida religiosa em 1948. Na década de 1970 ela já estava na Amazônia (região do Xingu), onde desenvolveu atividade missionária e pastoral junto aos trabalhadoers rurais, com o objetivo de promover a geração de emprego e renda por meio do reflorestamento de áreas degradadas.
A participação de Irmã Dorothy em projetos voltados para o desenvolvimento sustentável foi além da Vila de Sucupira, no município de Anapu (PA), e ganhou reconhecimento tanto em nível nacional quanto internacional. Ela também ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica.
Defensora incansável de uma reforma agrária justa e tida como uma liderança dos trabalhadores rurais, Dorothy Stang foi ameaçada de morte por grileiros de terra inúmeras vezes. Ela foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005, aos 73 anos de idade, mas nos deixou como herança um legado de luta e amor pelos menos favorecidos.
Milú Villela
Uma das herdeiras do conglomerado financeiro e empresarial Itaú, a psicóloga, empresária e filantropa brasileira Milú Villela poderia passar a vida simplesmente usufruindo do conforto de uma situação financeira tranquila. Poderia. Atualmente, ela é um dos nomes mais respeitados sobre conhecimento em voluntariado.
Atualmente, Milú Villela é membro fundador e coordenadora da Comissão de Articulação do movimento
Todos pela Educação, embaixadora da
Unesco e presidente do
Faça Parte - Instituto Brasil Voluntário, do
MAM(Museu de Arte Moderna de São Paulo) e do
Instituto Itaú Cultural. Os projetos encabeçados por ela contribuem para o desenvolvimento de milhares de jovens brasileiros.
Lúcia Aleixo
A mineira Lúcia Aleixo trabalha como médica na
ONG Médicos Sem Fronteira, no Quênia. Imunologista, ela sonhava trabalhar no continente africano desde à infância. Atualmente, ela trabalha em três clínicas com foco no combate e tratamento de HIV e tuberculose. Todo o serviço médico prestado é gratuito, o que inclui os exames de rotina.
“São em torno de 150, 200 pacientes por dia. Eles têm toda a assistência necessária, são olhados um por um e reconhecem o trabalho que fazemos”, afirmou Lúcia Aleixo, que renunciou ao convívio da própria pátria de origem para ajudar pessoas de outro país - com problemas sociais mais intensos do que os do Brasil.
Wanda Engel
Hoje em dia, a carioca Wanda Engel está à frente do
Instituto Unibanco, onde é superintendente-executiva. ”A missão do instituto tem sido atuar, preferencialmente, junto a comunidades menos favorecidas no desenvolvimento e na implementação de projetos educacionais inovadores e multiplicáveis”, explica. Por meio de um trabalho de inclusão social, esta ilustre brasileira procura disseminar entre os jovens que eles têm perspectiva, um futuro a construir e a desenvolver.
Maria Elena Pereira Johannpeter
Muito mais do que um nome famoso do mundo corporativo, Maria Elena Pereira Johannpeter é hoje sinônimo de responsabilidade social. Ela aproveitava as viagens internacionais junto ao marido, Jorge Gerdau (empreendedor do ramo de aço), a fim de conhecer o trabalho de ONGs, ao mesmo tempo em que visitava obras sociais. Ela atua desde 1997 na ONG
Parceiros Voluntários, sedeada no Rio Grande do Sul.
“Em cinco anos, R$ 19,4 milhões foram destinados em benefício da sociedade gaúcha”, comemorou Maria Elena, que em parceria com o Sebrae pretende expandir o Parceiros Voluntários em todo o território nacional. Anualmente, a ONG capitaneada por ela recruta milhares de jovens voluntários, que doam o tempo que dispõem para ajudar o próximo.
Suzana Kahn
A carioca Suzana Kahn foi surpreendida quando o telefone dela tocou, no dia 12 de outubro de 2007, e a voz do outro lado da linha informava-lhe que ela havia ganho parte do Prêmio Nobel da Paz. A princípio, parecia brincadeira de algum amigo. Mas não era. Por conta de seus estudos sobre alternativas menos poluentes para os transportes, ela, juntamente com outros 2.500 cientistas de 160 países, e mais o vice-presidente norte-americano, Al Gore, conquistariam a honraria.
Defensora dos biocombustíveis como alternativa sustentável, Suzana Kahn é atualmente secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, onde é uma das peças mais importantes na gestão do ministro da pasta, Carlos Minc.