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O capital social do Rio Grande
*Jorge Gerdau Johannpeter
O engajamento social faz parte do espírito do povo gaúcho. Essa cultura de participação comunitária tem sido fundamental para consolidar a boa qualidade de vida no Rio Grande do Sul perante os demais Estados do país. Exemplos disso não faltam: o esforço da sociedade em favor da educação resultou na criação de universidades comunitárias em diversos pontos do Estado e, no campo da saúde, foi possível não somente recuperar a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, mas também torná-la um exemplo de gestão hospitalar. É importante destacar também a Agenda 2020 em prol do desenvolvimento do Estado.
Some-se a isso o trabalho voluntário desenvolvido por cerca de 250 mil pessoas por meio da ONG Parceiros Voluntários, o que beneficia quase 1 milhão de pessoas, além da atuação de dezenas de outras entidades nessa área. Esse trabalho significa a chance de estabelecer, de forma muito econômica, uma conexão entre aqueles que dispõem de conhecimento ou oferecem um gesto de carinho e os que necessitam desse apoio. Entretanto, o retorno mais valioso do trabalho voluntário é o desenvolvimento de uma atitude de solidariedade, à medida que as pessoas reforçam a sua cidadania, aumentando a interação com a comunidade.
Há também bons resultados na área pública. Segundo o último Índice de Responsabilidade Fiscal, Social e de Gestão, divulgado pela Confederação Nacional de Municípios, o Rio Grande do Sul lidera o ranking no quesito fiscal, com 47 municípios, enquanto o Estado de São Paulo, segundo lugar na classificação, teve 19 localidades listadas. Sem dúvida, esse desempenho é resultado da ação de uma sociedade atuante, que cobra resultados e o aumento da cultura da responsabilidade administrativa nas prefeituras.
Porém, questiono-me se a experiência de mobilização da sociedade está sendo utilizada nas esferas executiva, legislativa e judiciária do Estado, considerando o elevado endividamento e a baixa produtividade do setor público, assim como, em diversos casos, aposentadorias desproporcionais às contribuições realizadas, em razão de pressões corporativistas. Como é possível termos um elevado capital social e, ao mesmo tempo, uma situação tão crítica nas contas públicas?
Sem dúvida, o governo do Estado já deu passos importantes para a recuperação das contas públicas, por meio do aprimoramento de sua gestão. No entanto, há ainda muito a ser feito, inclusive na área da educação e da saúde. É necessário que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se sensibilizem para a necessidade de aproveitar essa capacidade de mobilização. E cabe aos poderes que exageraram na concessão de privilégios economicamente inviáveis e socialmente injustos a devida correção por meio de processos de gestão e aprimoramento da legislação. Além disso, deve-se assumir metas claras, com prazos definidos, que dêem a exata dimensão de aonde queremos chegar, a partir do diagnóstico técnico realizado. É chegada a hora de utilizarmos todo o nosso potencial de mobilização na busca por um sistema público mais eficiente, com menos corporativismo e mais consciência e responsabilidade social.
*Empresário, presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau
Fonte: Clicrbs
23/03/2008
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