Newsletter
Relatório Anual   
Prêmio Parceiros Voluntários
Seminário Internacional Pare Pense
 
Chancelas  
 
Textos Referenciais - Voluntariado Jovem
 

É na escola que se faz a diferença

O sistema educacional público do município do Rio de Janeiro é o maior da América Latina. Trata-se de uma rede bem estruturada, com 560 mil alunos, 36 mil professores e 986 escolas de Ensino Fundamental, com indicadores educacionais acima da média nacional. Mesmo assim, ainda tem muitos desafios pela frente: o alto nível de analfabetismo funcional, a elevada defasagem idade-série e um persistente déficit de professores são alguns deles.

Para enfrentá-los é necessária união de esforços, envolvendo atores públicos e privados, com vistas a fortalecer políticas públicas que garantam educação de qualidade para todos. Parcerias entre a sociedade civil e escolas públicas não são novidade; novidade, no entanto, é a prioridade que lhe concedem os gestores públicos, tanto no governo federal quanto no estadual e municipal. É ainda restrito, porém, o conhecimento sobre a contribuição das parcerias.

Foi nesse cenário que o Instituto Desiderata promoveu, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, uma pesquisa exploratória (acesse a pesquisa completa) sobre as parcerias público-privadas em curso no Rio. O objetivo foi contribuir para as políticas públicas e permitir ao Desiderata - que desde 2003 apóia organizações sociais na oferta de oportunidades educativas para crianças e jovens – a definição de uma agenda de colaboração com o poder público para melhoria da qualidade do ensino fundamental do Rio.

A pesquisa foi realizada entre janeiro e agosto de 2009, levantando informações junto às Coordenadorias Regionais de Educação (CREs). Chegou-se a um universo de 39 projetos em 54 escolas e obteve-se informações detalhadas sobre 26 projetos em 43 escolas. Sete escolas foram visitadas para a seleção de quatro estudos de caso e foram entrevistadas, ao todo, 120 pessoas. Cabe destacar que o reduzido número de parcerias chamou a atenção.

Essas parcerias envolvem atores diversos, como organizações não governamentais, empresas, institutos e outras instâncias públicas. 81% dos projetos possuem mais de três anos de existência e 75% realizam ações na escola, como reforço escolar, atividades de arte e cultura, apoio às famílias e formação de professores. Mais da metade dos projetos refere-se a ações com apenas parte dos alunos, enquanto os projetos de capacitação de professores tendem a ser mais abrangentes ou permitem um efeito multiplicador para toda a escola.

Normalmente são os parceiros que procuram o gestor público ou a escola e, por conta disto, as propostas acabam refletindo o perfil e os interesses do financiador. Há indícios de que as ofertas de parceria são desiguais entre as CREs e determinadas pela localização ou desejo do parceiro. Além disso, poucos projetos iniciam com um diagnóstico da rede de ensino ou da escola; em 60% dos casos, a escola não teve participação na elaboração do projeto. 88% das iniciativas realizaram algum tipo de avaliação; e muitas vezes a avaliação não é apresentada para a escola, mas apenas para a instituição financiadora.

A visão das escolas sobre as parcerias revela aspectos interessantes. Nos projetos indicados pelo gestor as organizações parceiras nem sempre são vistas como aliados da escola, mas das instâncias superiores. A denominação “parcerias” encobre, por sua vez, diferentes concepções e práticas. Há desde noções mais simples, de que toda oferta é bem vinda, dadas as carências da rede, até o entendimento de que a parceria deve-se adequar ao projeto da escola.

Neste contexto, o perfil do gestor escolar faz toda a diferença. Jogam um papel positivo o bom relacionamento com os gestores e o envolvimento da comunidade escolar e também da família e da comunidade do entorno (público direto da parceria, em 40% das escolas pesquisadas). Em alguns casos a escola participou da construção do projeto que foi encampado por diretores, professores e alunos, melhorando o clima escolar.

A pesquisa identificou ainda experiências interessantes. Mas boa parte delas é bastante incipiente e descolada das reais necessidades das escolas. É importante aproveitar o cenário favorável nas políticas públicas de Educação para aumentar o conhecimento sobre as parcerias em curso e estimular uma cultura de investimento social em colaboração com as autoridades públicas do Município, visando resolver as questões centrais do ensino público. É preciso concentrar esforços na agenda de mudanças duradouras e estruturais na rede pública de ensino, que garantam uma educação de qualidade para todas as crianças e jovens do Rio de Janeiro.

Data: 04/09/09

Fonte: Beatriz Azeredo e Roberta Costa Marques
dirigentes do Instituto Desiderata.

**O artigo foi inicialmente publicado no jornal O Globo

 
 
Veja Mais Textos
É na escola que se faz a diferença
A primeira infância e a inviabilização do possível por João Augusto Figueiró*
Vida solidária
Bioplástico compostável
Nanotecnologia na alimentação
Embalagens sustentáveis
Eficiência, energia e árvores
7 passos para um alimento melhor
Novas tecnologias geram novos desafios a velhos problemas
Um olhar sobre as ferramentas do marketing educacional
ONDE FICA O FUNDO DO POÇO?
Wangari Maathai: as pessoas não fazem ligação entre as florestas e a degradação dos rios
Encontro de Educação debate ensino no Brasil
Formação profissional é foco de programas para jovens
MTV revela que jovem de Porto Alegre lidera em experiências com drogas
"O mundo é insustentável", afirmam especialistas
Educação é o tema com maior número de propostas
Site disponibiliza aulas com especialistas em Educação
Censo GIFE mostra prioridade de investimentos em juventude
Pesquisa minimiza relação da violência com ganhos financeiros
Voluntariado jovem: É possível mudar o mundo
Tribos nas trilhas da cidadania
Professor incentiva a atividade voluntária na adolescência
Projeto de voluntariado educativo e sua construção
O desafio no futuro será ter jovens com maturidade para agir
Para início de conversa
Gestores devem ser avaliados continuamente
É de pequeno que se aprende
Jovens como parte da solução
Democracia é diferenciada para alunos de escolas públicas e privadas
Qualidades do Professor
Os direitos dos jovens
O Voluntariado como forma de Protagonismo Juvenil
O que é ensinar?... Quem é o professor?
O que é Educar?
O Jovem, a globalização e o Terceiro Milênio
Não existe uma única juventude
Educação não pode ser vista como um favor
Do Protagonismo ao Empreendedorismo Social
Capital Social e Educação
Aprendizagem e Terceiro Setor
A Educação como demanda e Responsabilidade Social
 Você está em:
Home Textos Textos Referenciais - Voluntariado Jovem
Como ser voluntário?
Links do Terceiro
Setor
Perguntas Mais
Freqüentes
Arquivos
Glossário
Projetos em Parceria
Casa Aberta
Transparência
Agenda
Largo Visconde do Cairu, 17 - 8º andar - Centro - Porto Alegre - RS - Brasil - CEP 90030-110 | Telefone: 55 (51) 2101.9797