
A conferência de abertura teve como tema o questionamento:
"Constrói-se o futuro?".
John Renesch, especialista em administração
de empresas, renomado escritor e pensador sobre transformação
social: "A
chave para gerar uma transformação mundial,
criando um futuro melhor para o ser humano é sermos
responsáveis pelo o que fazemos. É tempo
de que todos nós sejamos responsáveis pela
sociedade em que vivemos". Pare
e Pense...
Nós, seres humanos, estamos
num período da história em que temos uma
oportunidade excepcional, mas também enfrentamos
uma grande crise. Pela primeira vez na história
da humanidade podemos ser extintos por nossas próprias
mãos. A boa notícia é que temos
a escolha de evoluir a um novo nível de ser humano.
Talvez agora isso pareça muito esotérico
ou abstrato para vocês, antes vou contar uma história:
Grupos no mundo todo foram sujeitos a uma pesquisa informal
onde foi perguntado: "Onde acham que está
a humanidade na evolução e na sua maturidade?
Criança; Adolescente; Jovem Adulto ou Adulto
Sábio?". A maioria dos grupos disse adolescente.
Ninguém disse Adulto Sábio e poucos acharam
que estamos na fase adulta.
Temos um longo caminho a percorrer como seres humanos.
Também está em nosso poder criar o tipo
de futuro que queremos ao invés de aceitar o
futuro como ele ocorre a nossa volta. Mas infelizmente
nos tornamos condicionados a esse mundo industrializado
e rápido, aceitando as condições
impostas.
Uma coisa que quero discutir é a legitimidade
dos sistemas sobre os quais nos queixamos. Sistemas
são forças complexas, indivíduos,
culturas, tradições e crenças que
todos nos influenciam, mas nós somos aqueles
que conspiram o sistema e nós estamos sempre
esquecendo disso. Então, podemos mudar o sistema.
Parte do crescimento como espécie humana é
sermos responsáveis por aquilo que fizemos. Limpar
tudo da melhor forma possível e não ficarmos
nos sentindo desesperançados, impotentes, resignados
ou com a principal doença do planeta hoje: o
cinismo. Dizem que se arranharmos a superfície
de um cínico encontraremos um idealista desiludido.
A maioria de nós pode lembrar da época
em que estávamos cheios de ideais, queríamos
mudar o mundo. Alguns de vocês talvez sintam isso
agora e Deus os abençoe por isso. Mas muitos
de nós, à medida que crescemos, fomos
afetados um pouco pela vida. De vez em quando chegamos
a aceitar algo e nos consolamos com isso. Consolos são
"eu farei o melhor com aquilo que eu posso".
Também aceitamos consolos em drogas, álcool
e principalmente o trabalho. A maioria das pessoas não
quer lidar com a condição da humanidade
e aceita pequenas melhorias incrementais para se sentir
melhor.
O que eu quero incentivar que todos vocês façam
é olhar onde vocês são cínicos
e céticos. Onde vocês talvez tenham deixado
de lado um pouco o idealismo e ver se pode reativar
essa capacidade de sonhar o grande sonho para a humanidade.
Não porque vocês devam fazer isso, se sintam
obrigados ou achem que é a sua responsabilidade
e sim porque vocês o querem viver.
Quando vocês tiverem se consolando e não
fazendo tudo que sabem, que podem fazer para melhorar
o mundo e vocês mesmos, vocês estarão
se anestesiando. É um desserviço a sua
alma. Não se preocupem, eu não vou pregar
sermão! Mas uma das coisas que constitui o ser
humano é que somos pessoas físicas, mentais,
mas também emotivos e espirituais.
A maioria das pessoas quando vai para o trabalho leva
o seu corpo e deixa sua alma em casa a tanto tempo que
chega a esquecer que tem. Vocês estão roubando
vocês mesmos e o mundo ao deixar parte de vocês
no escuro.
Essa conferência é sobre honrar a pessoa
inteira, valorizar a pessoa inteira, amar todos os desejos
e sonhos de um mundo melhor e deixar que apareça.
É para sair da nuvem de cinismo, ceticismo e
da resignação.
A beleza de toda essa idéia de mudar o nosso
mundo e torná-lo um lugar melhor tem uma grande
vantagem que é não ser necessário
o orçamento, nem o governo precisa envolver-se,
é simplesmente mudar o seu modo de pensar. Pare
e pense. Parte do que queremos fazer aqui hoje é
despertar o nosso "eu".
À medida que crescemos pensamos mais sobre o
todo, o bem de todos e menos a respeito de nós
mesmos. Quando crescemos pensamos nas conseqüências
a longo prazo, não apenas no que está
acontecendo na sexta à noite. Quando crescemos
nos damos conta que não somos a pessoa que sabe
mais no mundo, a mais inteligente do planeta. Alguns
adolescentes quando crescem ficam surpresos de quão
inteligentes estão se tornando seus pais. Entenderam?!
Em certa idade achamos que sabemos tudo e quando passa
essa idade passamos a entender que não sabemos
tudo. E uma das coisas que as pessoas mais velhas estão
sempre dispostas é a aprenderem mais.
Um adulto sábio aprende a pensar de maneira mais
holística, mais em prol do bem comum. Se você
for adulto e emocionalmente maduro e vê a condição
do mundo não pode dizer que é uma maravilha.
Muitas coisas são realmente ruins, então
não quero dizer que você nunca sente desespero,
isso não é ser emocionalmente maduro.
Se o desespero está presente, sinta-o. Simplesmente
não se perca naquele desespero.
O que eu aprendi a respeito de maturidade emocional
na minha vida é que quando se tem emoção,
qualquer que seja, gostamos de evitar: raiva, culpa,
inveja, ciúmes, todas essas coisas que nós
não queremos aceitar que apareçam. Então
se reprime. E essa emoção reprimida lá
embaixo aparece. Parte de ser um adulto maduro é
sentir os sentimentos quando aparecem.
Se você estiver lidando com a situação
no emprego, na escola, na comunidade... Deixem aparecer
essa sensação de desânimo. Use algum
tempo para sentir. Eu não digo que devam se desesperar,
se perder nessa emoção, mas sintam. Essa
emoção está lá e faz parte
de vocês. Tudo faz parte para crescer, se tornar
maduro. Isso é uma das maiores coisas que temos
que fazer para chegar a um lugar onde podemos criar
um mundo melhor.
Uma das maneiras que temos de pensar, ultrapassada,
mas que ainda continua e é bastante popular,
é pensar que "não é o meu
trabalho e sim o trabalho do líder". Sempre
apontamos para eles, os líderes. Mas vocês
são os líderes. Se vocês não
fizerem, talvez ninguém faça. É
tempo que todos nós possamos nos levantar, nos
tornarmos responsáveis pela realidade em que
vivemos. É o nosso mundo.
A maioria das mudanças reais de sistemas ocorre
fora do sistema. Num governo, numa família, numa
empresa, algo provoca uma mudança. Raras vezes
a mudança vem de dentro, a não ser que
seja um agente muito comprometido, poderoso, ou um grupo
de pessoas para conseguir esta mudança.
Parte de ser líder é trabalhar em si mesmo.
Auto-exploração, se estudar, aprender
o que gosta, qual são os teus déficits,
tuas forças... Eu diria que isso é um
processo que dura a vida inteira. Se conhecer melhor
do que qualquer outro. Ser um líder é
ser você mesmo. É tão simples assim
e é tão difícil assim.
O sistema não são apenas três ou
quatro pessoas, que fazem tudo. Todos nós fazemos
parte do sistema, seis bilhões de pessoas, e
vamos pensar em como arrumar ao invés de todo
mundo dizer "aqui está errado".
O principal que vocês podem aproveitar do que
ouviram hoje é: pare de fazer muitas coisas que
já fazem e comecem a fazer coisas novas. Parem
de aceitar consolos e de estabelecer ou aceitar coisinhas
para que não se incomodem tanto. Parem de ser
muito céticos, desconfiados.
Nada vai existir no mundo a não ser que alguém
sonhe. Nós temos os recursos para os sonhos serem
implementados. A ciência já provou que
místicos, filósofos e ideais estão
conectados de alguma maneira. O que afeta um afeta outro,
mesmo que esteja do outro lado do mundo. Então
porque estamos vivendo em desconexão com o medo
e desconfiança. Temos que aprender a confiar
uns nos outros e lidar com o medo.
Eu gostaria de enfatizar: comecem a conversar entre
si, mas eu não quero dizer "como está
o tempo, tu viste a roupa de X ou Y?". E sim, de
coisas que realmente são importantes, um diálogo.
Não temos que ter uma resposta para como fazer
ou como mudar o mundo. Um pedacinho da resposta está
em cada um. Todos nós aqui temos um pedacinho
da resposta. A coisa mais pragmática que poderiam
fazer é trabalhar com seu tempo e energia para
um mundo melhor. Obrigado.
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