
A partir das contribuições de todos os painelistas,
o filósofo John Renesch discorreu
sobre o tema "Futuro: uma
obra coletiva", afirmando nas suas reflexões
finais que os líderes do novo milênio serão
pessoas comuns fazendo coisas extraordinárias,
trabalhando junto com outras pessoas comuns para obter
essa transformação. Pare e Pense...
Ouvimos comentários dos conferencistas
e também pensei um pouco. Gerdau falou da liderança
e disse que o líder é aquele que sabe
aonde os outros vão e corre para chegar na frente
deles. Todos nós somos líderes. Isso é
muito difícil de aceitar quando estamos acostumados
a líderes autoritários ou especialistas.
Fomos ensinados na escola a esperar orientações
de um líder e ser simplesmente um seguidor. Mas
tem uma equipe que trabalha junto, cada um é
o líder em algum momento, se vê algo que
o grupo está se desviando e levanta a mão
e diz "tem um problema", aí você
está sendo um líder.
Poucas pessoas dizendo o que deve ser feito não
é necessariamente o melhor. Cada um de nós
tem algo para contribuir sempre. Muitos líderes
não significa que não tenha estrutura.
Ainda há um líder que tem um alto grau
de responsabilidade, mas ele aceita opiniões
de todos que são também responsáveis.
Se só seguirem ordens, ninguém voa mais.
"Eu estava fazendo o que me mandaram" é
uma desculpa furada.
Outro comentário sobre as apresentações
é que esquecem quem é a sociedade. Eu
sou a sociedade. Então se autoconvençam.
Aqueles de vocês que já estão por
aí há algum tempo sabem que temos pouco
controle sobre a mudança de outra pessoa. Mas
temos muito controle sobre aquilo que se pode mudar
em si mesmo.
Caso houver um problema na sua família, sua comunidade,
então vocês fazem parte do problema por
definição. Eu garanto a vocês que
se mudarem a maneira de se engatar no sistema ou falando
mais ou até calando-se mais, o sistema vai mudar.
As coisas estão ligadas.
Outra coisa que eu queria dizer é que temos que
pensar na liderança, em dirigir organizações,
o que temos muitas vezes é sinfonia. O maestro
é o chefe e cada um tem sua área de especialidade,
quando tudo funciona bem é uma maravilha. Mas
ainda assim há um chefe e uma série de
especialistas.
Nós estamos indo a direção a um
período da nossa história em que as organizações
devem ser mais flexíveis, como um grupo de jovens.
Em que se juntam e dizem "bem, você lidera
nesta parte porque você entende disso". Cada
um inventa junto e improvisa.
Na nossa busca pela tecnologia eu diria que há
uma obsessão. Nos sentimos muito mais à
vontade com as máquinas do que uns com os outros.
Quantas pessoas têm a experiência de conversarem
em telefone celular e estarem em dois cubículos
consecutivos. Eu já vi isso. Mesmo quando nos
relacionamos com as pessoas, freqüentemente é
através da tecnologia. Nós temos mais
relacionamentos primários com televisores e computadores
do que com pessoas. Isso é uma tendência
de transformar as pessoas em objetos.
Quando se faz uma guerra, como se justifica matar as
pessoas, a gente tem de tirar a humanidade deles. Quando
você se sente como um objeto em certas situações
e como você se sente a respeito? Deve se dar conta
como a outra pessoa vai se sentir quando você
fizer isso a ela.
Uma vez que notamos que somos todos seres humanos interconectados,
será muito mais difícil matar uns aos
outros ou enganar. Vamos reagir às pessoas por
não aceitar um convite ou fazer todas as outras
coisas que estão acontecendo numa sociedade.
Muitos dos conceitos e muitas das opiniões dizem:
"não fale apenas, não fique falando,
faça algo". Um professor e amigo meu dizia:
não faça apenas alguma coisa, pare e pense.
O fazer é automático, é reativo,
é não pensar.
Pense de maneira construtiva, quais são as implicações
disso? Quais são as implicações
da clonagem de seres humanos? Da ameaça de armas
nucleares? O que isso diz a respeito da nossa sociedade?
Muita ação hoje em dia é feita
por pessoas de bom coração e de boas intenções
que querem criar uma diferença e fazem algo para
sentir-se melhor. "Eu vou trabalhar duas horas
lá no abrigo ou fazer outra coisa qualquer."
Fez alguma diferença, a não ser se sentir
melhor a respeito. Muito trabalho de assistência
social é simplesmente redimir seu sentimento
de culpa, as pessoas que fazem as coisas são
apaixonadas por aquilo que estão fazendo, não
estão fazendo só para sentir-se melhor
ou importantes. Então eu acrescentaria ao tema
Pare e Pense dessa conferência não apenas
parar e pensar, mas também sentir. A vida não
dá muito espaço para sentir ou para pensar,
então fiquem quietos por um momento, sintam e
vejam que pensamentos surgem, pensamentos úteis.
Leva algum tempo, é necessário um tempo
de contemplação.
Então, convido vocês a ajudarem a formar
o futuro que vocês querem. Eu aposto que é
semelhante ao futuro que o outro quer. Nós temos
que ver o aspecto comum, que não é a praça
pública, o estacionamento público, a praça
da cidade ou da aldeia ou a pastagem que todos compartilhavam
outrora.
E qual é o destino para o ser humano novo? Não
sei, mas suspeito que é muito mais do que temos
agora. Então, quando você se sente chamado
a alguma coisa, faça-o.
Há anos, dois pesquisadores que trabalhavam em
pesquisas relacionadas ao câncer, reconheceram
que muitos eram causados em certo momento em que as
pessoas enfrentavam alguma barreira na sua direção,
sentiam-se chamadas a fazer algo e não podiam
fazê-lo. Então, isso afeta o corpo. Veio
alguém me dizendo, andei meditando, fui num retiro
na semana passada e não sei qual é a minha
vocação realmente. Bem, geralmente a vocação
não é algo que você descubra num
workshop, mas suspeito que haja outra maneira de encontrá-la.
O que deixa vocês realmente bravos? O que deixa
vocês furiosos? Se vocês realmente são
incomodados sobre alguma coisa, façam alguma
coisa a respeito, e aí que está presente
a sua paixão, casualmente na forma de fúria,
de raiva. Ótimo se for assim. São boas
emoções. Não se deve ficar sentado
e brabo por dentro, você tem que ser motivado
a fazer alguma coisa, dá para fazer muito com
a raiva. Então, vejam o que lhes incomoda, lá
no fundo, e ajam.
Como vai ser o futuro? Como vai terminar o mundo? Tenho
tanta certeza da possibilidade que nos espera de ter
um mundo muito seguro, e isso envolve países,
cidades e etc. A dúvida é: será
que temos o desejo de chegar lá?
Eu não sei a resposta para isso, eu não
posso tê-la, porque ela está dentro de
cada um de nós, temos o desejo coletivo de levantar
a bunda e criar o futuro que queremos. O futuro que
vai funcionar para todos não é o meu futuro,
não é o futuro da minha família,
mas é o futuro de todos nós.
Os novos líderes serão pessoas comuns
fazendo coisas extraordinárias, trabalhando junto
com outras pessoas comuns para obter essa transformação.
Para manter essa mudança de paradigma precisamos
começar em algum lugar com alguém.
Onde começar? Aqui.
Quando começa? Agora.
Quem começa? Você e eu.
Muito obrigado.
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